O uso do chapéu !



DA PROTEÇÃO À MODA: O CHAPÉU COMO ELEMENTO DISTINTIVO e sua resposta á feminilidade da mulher.


Tendo em vista o chapéu como elemento não somente protetivo, o presente texto busca compreendê-lo sob a ótica da estética, da distinção e dos câmbios da moda, abarcando , assim, um conhecimento mais amplo do cenário em que o acessório se encontra inserido. Sabe-se que a proteção designada a esse acessório é inquestionável e que, o ser humano possui, dentro de si, desde os tempos primitivos, uma necessidade nítida de adornar-se e distinguir-se. Como qualquer componente da moda, o chapéu não fica à parte das mudanças do mundo, refletindo nos costumes do que usar ou não, ou seja, segue o que a moda pede.


O CHAPÉU E A DISTINÇÃO SOCIAL E IDENTITÁRIA:


Leventon (2009) considera o chapéu um forte indicador temporal, funcional e também identitário, tanto de gênero como de personalidade.

No entanto, com o passar do tempo e com as mudanças da moda, passou a ser considerado um elemento ainda mais importante, sendo conhecido como um dos símbolos mais característicos de distinção e de comunicação.

Além disso, conforme expõe Von Boehn (1951), nenhuma mulher saía na rua com a cabeça descoberta.

Não era um luxo nem adorno, mas era algo inerente à classe e tão imprescindível como usar os sapatos hoje em dia.


Desde que o homem passou a se identificar como indivíduo dentro de uma sociedade, tornou-se indispensável distinguir-se das classes, em especial das dominantes em relação à classe menos favorecida.

Conforme afirma De Masi (2000, p. 227), especialmente no período industrial, “os ricos exibiam a própria opulência, sobretudo para surpreender, intimidar e reforçar o poder que tinham e a insuperável distância que os separavam da massa.”

Do mesmo modo, Bourdieu (2007, p. 174) expressa a necessidade de distinção entre

classes, opondo os gostos de luxo aos gostos de necessidade:

A oposição principal entre os gostos de luxo e os gostos de necessidade especifica- se em um número de oposições igual às diferentes maneiras de afirmar sua distinção em relação à classe operária e a suas necessidades primárias ou, o que dá no mesmo, igual aos poderes que permitem manter a necessidade a distância. Assim, na classe dominante, pode-se distinguir, simplificando, três estruturas de consumo distribuídas em três itens principais: alimentação, cultura e despesas com apresentação de si e com representação (vestuário, cuidados de beleza, artigos de higiene, pessoal de serviço.


Nos tempos em que era um elemento fundamental na indumentária, o chapéu encontrava-se presente em ambas as classes.

O que diferenciava o adorno não era sua funcionalidade em si, mas a sua estética, seu design, os materiais e o contexto onde se encontrava.

Embora houvesse distinção de classes também por meio dos chapéus, a maior parte

de bibliografia encontrada que trata do chapéu, tanto em moda como em estudo de comportamento, fala sobre a chapelaria de luxo, seja devido à vasta gama de materiais, estilos ou de marcas, quando se fala em estudos de moda, seja pela maior quantidade de chapéus de luxo encontrados até os dias atuais, devido à conservação, quando se fala em estudos de história, ou pelo mero fato de terem um mercado de consumo mais aquecido, como mencionam O’Hara (2000) e Vanni (2004a).

Atualmente, conforme Lipovetsky (2007), com o aumento de volume e da velocidade dos transportes, dos meios de comunicação e, consequentemente, das fábricas e das cidades, bem como da produtividade com menor custo, abre-se o caminho da produção em massa. Por isso, ainda em consonância com Lipovetsky (2007, p. 22), hoje, a moda encontra- se ao alcance de todas as classes sociais: “en lugar de los pequeños mercados locales, los grandes mercados nacionales, posibilitados por las infraestructuras modernas del transporte

y las comunicaciones (...) .”

Ainda de acordo com Lipovetsky (2007), o mercado mudou muito, em especial após a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a ruptura de distinção entre classes abriu um abismo ainda maior. Grandes nomes de luxo fazem parte de conglomerados de marcas que detêm o

monopólio do mercado mundial de moda, com linhas de produção em massa e linhas de luxo, confeccionando produtos distintos em qualidade de design ou acabamentos.

Para Bourdieu (2007, p. 09), o consumo de bens de luxo depende muito do patrimônio cultural presente no indivíduo ou, até mesmo, na sociedade:

As maneiras de adquirir sobrevivem na maneira de utilizar as aquisições: a atenção prestada às maneiras tem sua explicação se observarmos que, por meio destes.


Em diversas óticas o transforma em um enigmático objeto de estudo.

Cada período social exigia um modelo adequado a cada gênero e classe. Embora esse fenômeno não seja novidade no campo da moda, acredita-se que o chapéu, por ter consigo a responsabilidade de tocar e vestir a cabeça e adornar o rosto partes do corpo humano que classificam tanto ideias, emoções e pensamentos, bem como a face que caracteriza a unicidade e a identidade pessoal, tem um posto relevante na curiosidade e no desejo de estudo e compreensão.


O chapéu, assim como toda a roupa, encontra-se no contexto simbólico e semântico que expressa desde a distinção entre classes e categorias sociais, como também fatores identitários e de gênero.

Até a metade do século passado, o chapéu era essencial à vestimenta, como o sapato, a luva e a bolsa, como também tinha sua função de proteção superado por fatores estéticos e distintivos: usar o chapéu era uma necessidade social. Observar o elemento sob diversas óticas o transforma em um enigmático objeto de estudo.

Cada período social exigia um modelo adequado a cada gênero e classe.


Por isso estaremos com o nosso primeiro evento a ser realizado no dia 24/09/20 no glamouroso Palácio Tangará.

Para mais informações acesse o seguinte link :


http://www.sympla.com.br/event__937924


Será uma tarde, com o primeiro evento do novo mundo normal mais interessante que você possa participar.


Referências bibliográficas :


ACIDINI, C. Presentazioni/Presentations. In: IL CAPPELLO THE HAT: fra art e stravaganza between art and extravaganza: a cura di Simona Fulceri & Katia Sanchioni. Firenze: Sillabe, 2013.


ALLÉRÈS, D. Luxo... estratégias marketing. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2000. BARTHES, R. El sistema de la moda y otros escritos. Tradução de C. Roche. Barcelona:

Editorial Paidós, 2003. (v. 135 of Paidós Comunicación).


BEMPORAD, D. L. Folie per la testa. Decorazioni, piumaggi e ornamenti. A Touch of Madness. Decorations, feathers and ornaments on the hats. In: IL CAPPELLO THE HAT: fra art e stravaganza between art and extravaganza: a cura di Simona Fulceri & Katia Sanchioni. Firenze: Sillabe, 2013. p. 41-46.


BENTHALL, J. The body eletric: patterns of western industrial culture. Londres: Thames and Hudson, 1976.


BOURDIEU, P. A distinção crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp, 2007. __. O poder simbólico. 7 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.


BROWN, J. "Monomania"... our Monochrome obsession .... Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/159596380517380782


Carlas Cristina Flora

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